A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) presidiu, na tarde dessa terça-feira (22), audiência pública que discutiu os efeitos das mudanças climáticas na população. O tema do encontro, “Gênero e Mudanças Climáticas”, foi proposto pela Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, que avaliou formas de elaborar políticas públicas para reduzir desigualdades de gênero no contexto de mudanças climáticas.
Durante o evento, a deputada Erika Kokay afirmou que introduzir a discussão de gênero neste contexto representa um divisor de águas no cenário mundial. “Essa discussão faz com que possamos dar visibilidade às questões de gênero, que têm impacto maior nas mulheres, que são também vítimas de uma série de outras desigualdades”, afirmou.
Para a representante da ONG ChargeMob, Marília Moschkovich, o encontro também é uma forma de preparação para a conferência Rio+20, que acontece em junho deste ano, na cidade do Rio de Janeiro. “Queremos propor uma reflexão sobre o tipo de políticas públicas que precisamos construir para atender a essas necessidades”, ressaltou Moschkovich.
A analista ambiental e jornalista Ainda Feitosa ressaltou que, com o aquecimento global e com as mudanças climáticas no Brasil, a população negra deve ser a mais atingida pelos efeitos causados. Segundo Aida, o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 indica que 70% das pessoas que vivem na extrema pobreza pertencem à comunidade negra.
“As mudanças climáticas não são mais uma ameaça teórica ou um problema do futuro. O aquecimento já está ocorrendo e com inúmeras vítimas. Entre essas vítimas, as que mais sofrem são as pessoas que vivem na (situação de) vulnerabilidade social”, afirmou a jornalista.
“As mulheres são os indivíduos que mais sofrem, pois recai sobre elas a responsabilidade de realizar as principais tarefas de manutenção da família”, reiterou a analista ambiental.
Na opinião de Joluzia Batista, da Articulação de Mulheres Brasileiras, para se ter mundo sustentável, é preciso enfrentar as desigualdades de gênero e de raças. “Temos que levar em consideração como essas pessoas e suas diferentes identidades são afetadas pelas diversas políticas ambientais e, principalmente, pela mudança climática”, enfatizou.
Durante o evento, foi exibido o filme WeatheringChange, da ONG PopulationActionInternational, que mostra como as mudanças climáticas afetam homens e mulheres de diferentes formas.
Veronica Soarez
Assessoria de Imprensa