17:21:00 17/07/2012
Brasília
Erika parabeniza alunos e docentes da UnB por criação da Comissão da Verdade no campus universitário

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF), integrante da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) Memória, Verdade e Justiça da Câmara, parabenizou, nesta terça-feira (17), a iniciativa de professores e alunos da Universidade de Brasília (UnB) que trabalham no projeto de criação da Comissão da Verdade no campus universitário. A proposta, que deve ser oficialmente apresentada nesta semana, tem o objetivo de apurar os casos de repressão ocorridos na instituição de ensino entre 1964 e 1983.

Erika, que é ex-aluna da UnB e chegou a ser expulsa da universidade nessa época, elogiou a ação dos docentes e dos universitários.

“Nós tivemos várias pessoas que tiveram que sair (da instituição). Tivemos o Honestino Guimarães, que é o ícone da resistência à ditadura militar (e) que até hoje está desaparecido. Portanto, penso que (é possível que) a universidade consiga fazer o resgate da nossa história para que possamos construir a justiça a partir da nossa própria memória”, disse a parlamentar.

A deputada também apoia a realização de pesquisas, por outras universidades, sobre o passado de lutas da classe estudantil.

“Acredito que iniciativas como essa deveriam ser desenvolvidas em outras universidades. Até porque a ditadura militar interferiu no desenvolvimento da cultura, (das) ciência e (da) arte, que não se desenvolvem sobre botas ou baionetas, sejam literais ou metafóricas”, reiterou Erika.

Histórico

Durante o período denominado “anos de chumbo” (o golpe militar de 1964), a UnB, por estar mais próxima do centro do poder (a capital do País), foi uma das universidades mais atingidas pela repressão imposta pelo regime ditatorial. Nessa época, universitários e professores foram taxados de subversivos pelos militares.

Em 9 de abril de 1964, nove dias após o golpe, assumia a Presidência da República o general Castello Branco, que, após assumir o governo, estabelece diretrizes autoritárias para o comando do País.

No dia 18 do mesmo mês, estava à frente da reitoria da UnB Anísio Teixeira e seu vice, Almir de Castro, que foram surpreendidos por tropas do exército e policiais do estado de Minas Gerais. Os representantes da segurança pública chegaram à Capital preparados para possíveis confrontos e invadiram salas, revistaram alunos, prenderam e interrogaram professores, em busca de propagandas subversivas ao governo.

Em setembro do ano seguinte ocorreu a segunda invasão, após professores deflagrarem greve por 24 horas. Em resposta, o reitor nomeado pelo regime militar pediu que tropas militares fossem até o campus. O pedido foi atendido no dia 11 de outubro, e soldados voltaram a ocupar os edifícios, proibindo as reuniões de pessoas e a alimentação de animais que eram utilizados nos experimentos laboratoriais.

Em 1968, cerca de três mil universitários protestavam próximos à Faculdade de Educação (FE) da UnB contra a morte do secundarista Edson Luis, cometida por policiais militares no Rio de Janeiro. Na ocasião, sete universitários foram presos, entre eles o presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (FEUB), Honestino Guimarães, estudante de geologia. O desaparecimento do universitário não foi esclarecido e a família ainda aguarda informações sobre o que aconteceu.

“É uma história de luta pela democracia, pela liberdade e uma história calcada por Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira. Isso indica, de forma muito nítida, que para que a universidade possa cumprir a sua função precisa de extensão, de pesquisa, do conhecimento e do ensino, é absolutamente fundamental que ela possa viver sobre os ventos da liberdade e da democracia”, relembra Erika Kokay.

O grupo que trabalha na criação da Comissão da Verdade na UnB, encabeçado por professores das faculdades de História e Direito, desejam investigar o desaparecimento de estudantes e o impacto do regime militar na instituição.

Samantha Fukuyoshi
Assessoria de Imprensa
 

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